20 de novembro de 2007

Enchendo a pança


Impressionante é, sem sombra de dúvida, como o Senador Renan Calheiros consegue se desvencilhar de todas as acusações a respeito de aquisições de imóveis que, supostamente, teriam sido usados terceiros (laranja) para assinarem como proprietários.
Primeiro houve um movimento para afastá-lo da Presidência do Senado. Muitas foram às pressões, inclusive de aliados, para seu afastamento, onde culminou em tal ocorrido, dizendo-se Renan estar se afastando por motivos de saúde. Mas, por longos dias, o Senado Federal sangrou, sangrou a ética, a moral e o respeito pelo cidadão.
O Senador (senador ou senador?) sabe o que faz, e sabe muito bem onde está pisando. Mesmo com todas evidências que o relacionam às denúncias ele está lá, o homem representando o povo. Ontem fui pego pela seguinte notícia: "Adiado para 4 de dezembro julgamento da terceira representação contra Renan" (Jornal A Tarde http://www.atarde.com.br/politica/noticia.jsf?id=808031). Nesse ocorrido, o senador Arthur Virgílio, do PSDB (oposição), que só irá apresentar o parecer sobre o caso na Comissão de Constituição e Justiça no dia 04 de dezembro (próximo mês). Mas o que de fato levou esse adiamento? A 4ª representação. Eu disse QUARTA!
Como é de conhecimento de todos (assim espero), está para ser votada a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), e é de interesse do Governo a sua aprovação. Para que ela aconteça é necessário que o PMDB (partido de Renan) e alguns votos da oposição sejam favoráveis. Que ela será aprovada não tenho dúvidas, mas minha inquietação está em quanto é que cada um dos membros desse joguinho irá ganhar (?).
O Governo quer que a votação para a prorrogação da CPMF seja feita antes da possível votação para a cassação do mandato de Renan. Renan quer que seu processo seja julgado antes da CPMF. Em ambos os casos está o jogo de trocas, Renan (e o PMDB) votam com o Governo e depois o Governo vota com Renan, ou o contrário. Mas o que a oposição ganha com esse impasse? Ganha prestígio. Prestígio sim, pois todo dia aparece na mídia condenando a possível prorrogação do imposto do cheque, já que 2008 tem eleição para prefeito, logo em seguida, em 2010 para Presidente da República, e o PSDB já faz suas projeções para a última. Como não aprovar uma receita de R$ 40 bilhões para o Governo, já que o próprio PSDB está apto a assumir tal Governo? É dar um tiro no próprio pé.
Fica minha pergunta: Vai uma pizza com suquinho de laranja ai?